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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aécio Neves recorda, que há 30 anos, Tancredo Neves, reconstruindo a democracia no Brasil dizia: " Não vamos nos dispersar"




Tancredo posa em frente a Esplanada dos Ministérios após eleição do Colégio Eleitoral - Arquivo O Globo
Eleição de Tancredo, há 30 anos, foi a 'mais bem elaborada construção política que o Brasil viveu', diz Aécio
Ex-governador de Minas relembra eleição de seu avô, primeiro presidente civil depois de duas décadas de ditadura
POR THIAGO HERDY


SÃO PAULO - Ao desejar feliz ano novo a seus eleitores em vídeo divulgado em seus canais de divulgação no último dia de 2014, o senador e candidato derrotado à Presidência Aécio Neves (PSDB) repetiu a mesma frase do discurso da vitória da eleição de seu avô Tancredo no Colégio Eleitoral, que hoje completa exatamente 30 anos: "Não vamos nos dispersar".

A frase de Tancredo era um chamado à população para que continuasse reunida "nas praças públicas" e "com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão" que levou à escolha naquele 15 de janeiro do ex-governador de Minas Gerais como primeiro presidente civil, depois de 21 anos de uma ditadura que executou quatro centenas de opositores.

A frase de Aécio é um chamado aos 51 milhões de eleitores que no ano passado deram ao tucano votos de confiança, insuficientes para impedir a reeleição de Dilma Rousseff, naquela que ficou marcada como a mais apertada disputa da história política brasileira.

A frustração com a derrota no Congresso, em 1984, da emenda que previa eleição direta para presidente foi compensada, no ano seguinte, pela eleição de Tancredo - um dos entusiastas da campanha pela volta de um presidente civil ao poder. Entretanto, o mineiro morreu antes da posse e o cargo foi passado ao vice na chapa, José Sarney.

NOITE DE VÉSPERA INTERMINÁVEL

Na condição de secretário particular do avô, Aécio presenciou praticamente toda a articulação realizada antes das eleições junto a aliados e também a militares, naquela que o mineiro considera "a mais bem elaborada construção política que o Brasil viveu em sua história contemporânea", sacramentada em 15 de janeiro de 85.

- Era uma construção que começava por um líder de oposição que tinha uma parcela, no início, não disposta a ir para o Colégio Eleitoral, posição que depois ficou isolada apenas no PT. Ao mesmo tempo, havia uma administração para que setores ainda inconformados das Forças Armadas não tivessem chance de se rebelar - conta Aécio, que ainda tem na memória a noite insone anterior à eleição, lembrando-se até do gesto de retirar os óculos do rosto do avô quando ele adormeceu, ainda que por pouco tempo, lendo jornais na cama de seu apartamento, em Brasília.

Para ex-presidentes militares, Tancredo era o líder da oposição com quem era possível dialogar. "Tancredo não hostilizava", diria Ernesto Geisel (1907-1996) em entrevista ao projeto "Memória viva do regime militar", do economista e ex-colaborador de Tancredo, Ronaldo Costa Couto. "Era um bom relacionamento", repetiria o general Figueiredo, no mesmo livro.

Segundo Aécio, a opção do avô por fazer uma transição "sem revanchismo ou retaliações" era uma forma de fazê-la "sem traumas maiores do que aqueles já havidos durante os 21 anos do regime".

- Ele sabia que setores importantes das Forças Armadas compreendiam que o ciclo militar estava no final. Ao mesmo tempo, havia setores mais radicais, que esperavam um motivo qualquer para retroceder. Era um olho no gato e outro na frigideira - conta o tucano, lembrando que o avô ficou atento, "até o final, às movimentações mais extremadas do Exército".

AVENTURA, NÃO

Aécio admite que, para Tancredo, essa era uma eleição com resultado previsível e favorável, na medida em que ele havia tomado a decisão de ir ao Colégio Eleitoral apenas quando percebeu que as "condições mínimas de vitória estavam construídas e viabilizadas":

- Ele tinha uma frase onde dizia: para correr risco, contem comigo, isso é inerente à nossa atividade. Agora, aventura, não.

Se Tancredo evitou o revanchismo para viabilizar a transição democrática, o que diria Aécio sobre o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), divulgado em dezembro?

- Era um direito dos brasileiros conhecer a sua história, e das famílias e amigos daqueles que desapareceram. Isso é legítimo. Independentemente das questões de governo específicas que nos envolvem, do ponto de vista institucional, os avanços foram muito consistentes de 85 até aqui - afirma.

O tucano pede, no entanto, que o apoio ao relatório não seja confundido com o tratamento dado no texto à autoanistia promovida pelo regime, citada ali como "ilegal diante da legislação internacional”, em especial por crimes cometidos contra a humanidade.

- A Anistia foi um grande pacto, feito na sociedade brasileira em determinado tempo histórico, que se mostrou essencial para que tivéssemos avanços de lá até aqui. Não vejo a quem possa interessar hoje a sua revisão - diz.

MOVIMENTOS

Em entrevista para o livro de Costa Couto, doze anos depois da eleição do avô, Aécio analisou a estratégia de Tancredo. "Ele soube aguardar, esperar que as forças se movimentassem e se agrupassem em torno dele. Sabia exatamente o momento de avançar e o momento de recuar". Para o Aécio de 2015, este é o momento de avançar ou recuar?, pergunta o GLOBO.

- É o momento de persistir. Eu perco as eleições mas saio das urnas representando um movimento amplo da sociedade, indignado com tudo que está aí - responde o tucano, dando típicos sinais "tancredianos":

- Levo para minha militância oposicionista o mesmo vigor e a mesma coragem que eu teria se tivesse sido eleito presidente. Meu papel é organizar e fortalecer as oposições, cobrar do governo os compromissos que assumiu na campanha, suas contradições - avança.

- Mas (faço isso) sem pensar em eleições, por enquanto. Tenho os pés no chão. A oposição não pode ter uma cara, apenas, isso é um erro gravíssimo, a oposição tem que ser ampla - recua.

CONEXÃO

Aécio quer repetir o que fez Lula para encerrar oito anos de tucanos no poder. Ele aposta em seu vínculo "com setores expressivos da sociedade", que ele classifica “não como mais qualificado, porque todos são", mas "o mais antenado com o que está acontecendo com o Brasil".

- No governo Fernando Henrique, sabíamos que tinha um Lula conectado, claro que com outros setores, mas numa conexão forte com movimentos da sociedade, com os quais ele militava. Nós sabíamos que era mais difícil enfrentar uma oposição que tinha uma conexão muito forte com esses setores - diz.

No livro de Costa Couto, o ex-governador da Bahia e ex-senador Antônio Carlos Magalhães analisou o catalizador do governo militar: "1964 foi um movimento contra a corrupção e em defesa da moralidade".


Em 1997, já de volta ao regime democrático, o general Figueiredo definiu o governo de FH: "Estamos na mesma situação de 1963. Os escândalos estão aí, piores ainda".

Em janeiro de 2015, na declaração de Aécio, a história é movimento de moinho:

- Represento um movimento indignado com tudo que está aí. Indignado com a leniência com a corrupção, com a incompetência do governo. Cansado dessa forma atrasada de se fazer política.

Fonte : http://oglobo.globo.com/brasil/eleicao-de-tancredo-ha-30-anos-foi-mais-bem-elaborada-construcao-politica-que-brasil-viveu-diz-aecio-15056526

http://dropsmisto.blogspot.com

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Aécio cita Tancredo Neves : " A nação renasce porque está renascendo nos olhos dos moços"



Fonte: Folha de S.Paulo online

Link: 
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/2014/06/1470953-despedida.shtml

Despedida – Aécio Neves


Em respeito aos critérios anteriormente fixados pela Folha em função do período eleitoral, escrevo hoje a minha última coluna, em uma manhã de sábado em São Paulo. E me despeço manifestando, mais uma vez, o meu respeito pela atividade política.

Sei que corro o risco de ser mal interpretado, em um país em que, lamentavelmente, sobram motivos para o descrédito da ação política, mas a cada dia me convenço mais do acerto da decisão que tomei há 30 anos, quando entrei na vida pública. Poucas escolhas na vida nos permitem reunir ao mesmo tempo as razões do coração e da razão. Dizem que as pessoas que conseguem encontrar o dever e o prazer no mesmo lugar têm uma chance especial de encontrar a felicidade. E, apesar de todas as dificuldades, poder imprimir à vida um sentido no qual se acredita não deixa de ser uma oportunidade a ser celebrada.

Nunca tive dúvidas sobre a escolha que fiz, nem nas horas de dificuldades. Nunca as tive nos momentos de frustração quando fui confrontado com a impossibilidade de realizar tudo o que gostaria, nem nos momentos em que sou atacado de forma covarde por calúnias e difamações.

Vejo nisso apenas mais razões para continuar a minha caminhada e colaborar para a construção de um tempo em que a política tenha mais a ver com a verdade e com a realidade, e menos com a manipulação e com a hipocrisia. Acredito na política como instrumento de transformação da sociedade. Onde falta política sobra autoritarismo.

Fiz desta coluna um testemunho de meu compromisso com a política voltada ao bem comum e do meu compromisso com os brasileiros. Busquei refletir sobre o Brasil, consciente de que escrever para um jornal como a Folha é sonhar em voz alta. É falar para o Brasil. Nunca me omiti diante das grandes questões. Me expus ao crivo da opinião pública e saio fortalecido da experiência. E ainda mais convencido de que a arena pública deve estar sempre permeável ao debate.

Olho para o Brasil e vejo um país banhado por uma energia positiva que parece adormecida, mas que é essencialmente nossa. Alegria, esperança e confiança são um patrimônio coletivo da nossa nação. Não podemos perdê-lo.

"A nação renasce porque está renascendo nos olhos dos moços", escreveu meu avô Tancredo no discurso preparado para o dia de sua posse na Presidência e que o destino não permitiu que ele lesse. Ele falava daquela energia única, do "calor sagrado que torna as pátrias imperecíveis". Esta é a energia que me move.

Encerro a minha coluna surpreso com a velocidade com que o tempo tem passado. Foram três anos. Meu agradecimento à Folha pelo convite. A você, meu agradecimento pela companhia, meu abraço e desejo de que o tempo seja generoso com cada um dos nossos sonhos.

Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aécio Neves : " Não se justifica o Brasil ter 40 ministérios"

Entrevista do senador Aécio Neves no lançamento do filme "Tancredo, a Travessia"


Belo Horizonte - 27-10-11

Assuntos: Documentário "Tancredo, a Travessia", legado de Tancredo Neves, demissão do ministro do Esporte, corrupção no governo federal
Sobre a importância do documentário.
Na verdade, para todos os brasileiros. Principalmente, para as gerações mais jovens, que talvez não se lembrem com muita clareza que há 25 anos o Brasil vivia uma ditadura. Acho que é uma aula, uma aula de história. A nossa intenção, inclusive, é que esse filme possa ser visto nas escolas de Ensino Médio, nas universidades, porque o que construímos, o que nós conquistamos, eu digo nós, brasileiros, inclusive de gerações antes da minha, é algo muito valioso. Vivemos hoje na plena democracia, com acesso à informação, com as instituições funcionando, absolutamente livres. É uma conquista tão consistente, tão importante para o nosso futuro, que ela merece ser valorizada. E esse filme permite isso. Permite a valorização da nossa história, mostra a travessia, a dificuldade. Muitos ficaram pelo caminho, na verdade, para que hoje, sobretudo os mais jovens, possam viver num país que cresce, que se desenvolve economicamente e com suas instituições democráticas estáveis. Portanto, não é um filme familiar. Na verdade, Silvio Tendler já havia feita Jango, Juscelino, e agora ele completa uma trilogia, trazendo aos brasileiros a oportunidade de conhecer pela ótica, pelo olhar, pela história de Tancredo, o que aconteceu no Brasil nos últimos 50 anos.

O sexto ministro que cai, senador. Qual a avaliação que a oposição faz nesse momento? Vai ser um governo marcado pela corrupção, pelo menos no início?
Olha, eu dizia desde o início da formação do governo que essa lógica, pela qual o governo se compôs, não tinha condições de dar certo. Primeiro, o inchaço da máquina. Não se justifica, em um país como o Brasil, termos praticamente 40 ministérios. Estados Unidos, Inglaterra, por exemplo, tem de 15 a 18 ministérios. Não funciona, não há condições de você avaliar a ação dos ministros. Ainda mais com a lógica de entregar aos partidos políticos ministérios como se fossem feudos. Infelizmente, isso não aconteceu de ontem para hoje, é claro que o governo sabia o que estava acontecendo no Ministério do Esporte, como sabia o que estava acontecendo nos outros ministérios. O que, apenas, é que o chamado malfeito, para usar um termo que a presidente gosta de usar, é só enfrentado quando vira escândalo. A verdade é essa. Enquanto não vira escândalo, há uma certa complacência, o governo parece que convive bem com esse aparelhamento absurdo da máquina pública. Em relação ao Segundo Tempo, eu me lembro, que ainda eu era governo no meu primeiro mandato, procuramos o Ministério do Esporte porque eles cancelaram as parcerias com o Estado. Esse programa era em parceria com o Estado e o Estado fazia convênios com municípios apenas, exatamente com a intenção, obviamente, estamos vendo agora, não imaginava naquele tempo, de aparelhar como aparelhou. O resto é consequência disso. Infelizmente, é muito ruim para o Brasil que isso esteja acontecendo. Mas, enquanto não tivermos um governo que efetivamente invista em gestão pública de qualidade, que governo com planejamento, com coragem política para ousar nas reformas que não aconteceram, vamos assistir a isso, a cada dia um problema. E é um governo reativo. Nenhuma dessas denúncias, nenhuma dessas quedas de ministros se deu por uma ação do governo, por uma avaliação interna do governo, através de auditorias prévias, como fazíamos em Minas. Essas quedas de ministros não se deram porque a Controladoria-Geral da União denunciou esses problemas, identificou esses problemas. Não. Todas elas ocorreram por denúncias da imprensa, por pressão da opinião pública. O governo age reativamente. Enquanto não houver denúncia, está tudo bem. Infelizmente, o Brasil está perdendo um tempo enorme, de avançar com uma velocidade muito maior, com um governo muito mais eficiente.

E sucessão presidencial. Como chega lá?
Não tenho essa preocupação hoje. Temos uma agenda enorme a construir aqui em Minas Gerais, no Parlamento. E vou repetir aqui em homenagem ao Tancredo, vocês que são convidados, obviamente, para assistir o filme, ouvirão isso da própria boca dele: política é destino. E Presidência, mais do que qualquer outro posto, é mais destino ainda. Vamos trabalhar como temos feito e, obviamente, se esse desafio couber a mim ou a outro companheiro, cada um de nós tem que estar pronto para ele.

Qual o principal legado deixado pro Tancredo, tanto como homem público, como um cidadão comum?
Tancredo tinha duas características que se complementavam. Talvez a mais conhecida ou reconhecida é a do grande conciliador, o homem capaz de articular forças díspares, forças antagônicas em busca de um objetivo comum, como foi o processo de transição democrática. A mais bela obra política não apenas da história do Brasil, mas certamente da América Latina. Mas, ao lado do conciliador, do homem do diálogo, existia o homem corajoso. Aqui, vamos assistir vários episódios em que Tancredo, até do ponto de vista físico, pessoal, ficou ao lado da Constituição, ao lado da democracia, das liberdades. Foi assim enquanto ministro de Getúlio Vargas, no dia fatal, no momento em que Getúlio entrega a sua própria vida pela Constituição, Tancredo estava ao seu lado propondo a resistência pessoal. Depois, mais uma vez, na posse de Jango, ele no Parlamento, fisicamente, enfrentou o presidente do Congresso que declarou vaga à Presidência da República, enquanto Jango ainda estava em território brasileiro. Tem uma casa belíssima de Juscelino que vamos também assistir no filme, que Juscelino escreve de próprio punho, quando vai para o exílio, momento de dor para ele, ele diz que se lembra bem que a mão de Tancredo foi a última que ele apertou no momento em que ia para o exílio. Enfim, há uma série de acontecimentos que mostram que, ao lado do grande conciliador, existia também um homem extremamente corajoso, em defesa das suas ideias, daquilo em que acreditava. Nessa política de hoje, de tantas denúncias, essa política tão rasteira, esse aparelhamento da máquina pública como jamais se viu antes na história do Brasil, partidos políticos que crescem a cada dia, que surgem a cada dia, sem representar absolutamente nada, é bom lembrarmos que em um passado não muito distante, no Brasil, tivemos políticos que construíram as bases para que as nossas gerações construam um futuro melhor para todos. Tancredo é motivo de orgulho não para mim apenas como seu neto, para minha mãe, sua filha, para minhas irmãs, pros outros parentes. É motivo de orgulho para todos brasileiros.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sérgio Cabral : "Tancredo Neves era um democrata"!

Cabral e Aécio se encontram em filme sobre Tancredo

25 de outubro de 2011 | 22h 41
LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado
Não podia ser mais carinhoso o encontro entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), na noite de hoje, durante a pré-estreia, em um cinema da zona sul da capital fluminense, do filme "Tancredo, a Travessia", sobre a trajetória do presidente Tancredo Neves (1910-1985), avô do ex-governador mineiro.
A amizade de mais de 20 anos, reforçada pelo parentesco de Aécio com a ex-mulher de Cabral, Suzana Neves, ficou ainda mais intensa após a mobilização do senador contra a proposta de divisão dos royalties do petróleo aprovada na semana passada pelo Senado e que, se mantida, causará grande prejuízo a Estados produtores do minério, como o Rio.
Ao chegar ao cinema, Aécio disse que agiu "por um novo pacto federativo" e cobrou "generosidade" do governo federal. "Faltou ao governo (federal) cumprir o papel de coordenador da federação e ter um pouco mais de generosidade, abdicando da receita futura da União, que era a proposta do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que eu apoio. Tenho conversado muito com o Sérgio (Cabral) e compreendo claramente suas razões", afirmou Aécio.
Poucos minutos depois, Cabral chegou ao cinema e se referiu ao senador mineiro como "um amigo querido desde 1980". O governador revoltou-se especialmente contra o trecho da proposta que altera contratos já firmados de exploração de petróleo. "O que está em discussão é um princípio básico de respeito ao ato jurídico perfeito. Esse é o princípio geral que o senador Aécio defende, e não é à toa que estamos diante de um documentário de seu avô Tancredo Neves, que era um democrata. Foi esse princípio que levou o (então) presidente Lula a vetar (outro projeto de mudança da divisão dos royalties), no ano passado, e espero que leve a presidenta Dilma a fazer o mesmo", disse Cabral, que hoje terá mais uma reunião com a presidente, em Brasília.
Antes do início da sessão, Aécio e Cabral se abraçaram e posaram para fotos com familiares. "Impossível eu me aproximar ainda mais do Aécio, um amigo querido desde quando presidimos juntos a Juventude do PMDB, em 1980", declarou o governador do Rio. Aécio, por sua vez, classificou a amizade entre as famílias Neves e Cabral como "indestrutível".

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aécio reúne amigos no lançamento do filme "Tancredo, a Travessia"

 Fonte: Gabriel Manzano - O Estado de S.Paulo
Em tributo a avô, Aécio olha para 2014
Senador diz que 'ninguém é dono do seu destino' em pré-estreia de filme sobre Tancredo, que reuniu tucanos em cinema paulistano
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não conseguiu fugir do tema eleições presidenciais, ontem, em São Paulo, na estreia do documentário Tancredo, a Travessia, que retrata alguns dos principais episódios da vida de seu avô. Indagado sobre sua possível candidatura em 2014, como um "continuador" do destino político do avô, o senador filosofou: "O que determina isso são sempre as circunstâncias. Ninguém é dono do seu destino".
Aécio foi à exibição acompanhado da irmã, Andrea, e da mãe, Inês Maria. A cúpula tucana também prestigiou o filme, produzido pela Intervídeo, de Roberto d'Ávila, e dirigido por Silvio Tendler. Entre os convidados estavam o governador Geraldo Alckmin - que levou consigo a primeira-dama, Lu Alckmin - , os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman e o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Também estavam lá outros secretários tucanos, como Andrea Matarazzo, de Cultura do Estado, e José Gregori, dos Direitos Humanos do município, e o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário.
"O Brasil perdeu pelo menos dez anos com esse episódio", comentou Aécio sobre a morte de Tancredo, um dos momentos cruciais do filme. Ele desconsiderou as cobranças de que a produção poderia ajudar sua eventual candidatura. "Fiz questão que não fosse um filme sobre família. Queríamos a figura de Tancredobem retratada."
Eleições foram ainda o tema de Alckmin. Logo ao chegar ele comentou os apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o PSDB olhe melhor para a periferia. "É o que eu sempre disse, a gente tem de amassar barro. Já fizemos isso, e vamos continuar fazendo."
Serra também falou de 2014, ao enfatizar a importância das alianças, uma marca de Tancredo. "Alianças são fundamentais, elas fazem parte do cenário, especialmente em um cenário multipartidário como o nosso."
Participação. Em 95 minutos, o filme dá a Aécio um tratamento generoso. Embora não tivesse participação direta nos episódios mais importantes da vida política do avô - ele tinha 25 anos e era secretário particular de Tancredo em 1985 -, suas aparições são marcantes: está presente em mais de dez inserções. São bem mais breves as cenas de políticos que conviveram com Tancredo e partilharam de decisões, como os ex-presidentes FHC ou José Sarney.
O diretor se defende. "Toda vez que faço um documentário aparece alguém dizendo que favoreci alguém. Isso não procede. No filme eu ouvi Aécio, como ouvi o general Leônidas (Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército), ouvi o Fernando Lyra (ministro da Justiça do governo Sarney, indicado por Tancredo), tantos outros, até o Jarbas Vasconcelos (que foi contra a eleição indireta que elegeu Tancredo)". O diretor lembrou, ainda, que queria, apenas, "fazer um filme histórico".
D'Ávila refutou, como ele, a tese de que o filme serviria a propósitos políticos de Aécio. "Não é um filme chapa-branca", afirmou o produtor.
Em tom contido, mas elogioso, Tancredo entrevista 28 personalidades e repassa episódios da vida do político mineiro: sua participação nos dias finais de Getúlio Vargas, toda a articulação para a posse de João Goulart em 1964, os contatos com o general Castelo Branco, a oposição ao regime militar e os discursos nos comícios das Diretas Já.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tancredo Neves, sempre a serviço da democracia.

Notas de Minas: Tancredo Neves, sempre a serviço da democracia.: A travessia O documentário "Tancredo, a travessia", de Silvio Tendler, que será lançado oficialmente no final do mês, complementa a trilogia...

sábado, 2 de abril de 2011

Veja.Com: Impulsionado pelo DNA político, Aécio promete fazer oposição dura após 100 dias de Dilma

Veja. Com 01/04/2011 Coluna de Ricardo Setti
às 20:01 \ Política & Cia

Na semana seguinte à próxima, que começa no dia 10, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável presidenciável tucano em 2014, anuncia um “discurso contundente” para celebrar o final da trégua de 100 dias que a oposição, em vários países, concede ao novo governo. “Vamos dar o sinal de largada para essa agenda propositiva de nosso partido, que será, ao mesmo tempo, uma agenda fiscalizadora dura”, avisou o senador no começo do mês passado.
O senador de frondosa mas não tão conhecida árvore genealógica na política — neto do presidente Tancredo Neves pelo lado da mãe, como todos sabem, mas também neto do importante político mineiro Tristão da Cunha por parte de pai e filho de um experiente deputado de oito mandatos, Aécio Cunha –, impulsionado pelo DNA, terá sua primeira participação de peso desde que assumiu a cadeira no Senado, a 1º de fevereiro passado. E seu foco, que ele naturalmente não proclama, é ter visibilidade nacional como a grande estrela da oposição.
Estofo para isso não se pode negar a Aécio. Ele desempenhou um importante papel como presidente da Câmara dos Deputados no biênio 2001-2002 quando, entre outras ações importantes, articulou o fim da execrável imunidade parlamentar para todo tipo de ilícitos, mesmo crimes graves — a imunidade, hoje, se refere apenas e exclusivamente a atos praticados pelos parlamentares no exercício do mandato. Depois disso, teve um governo muito bem avaliado em Minas Gerais (2003-2010).
A política veio do berço
Mas o ex-presidente da Câmara dos Deputados e duas vezes governador de Minas Gerais não aprendeu política apenas com o avô, o presidente Tancredo Neves. Ela lhe veio literalmente do berço, com o pai, Aécio Cunha, falecido justamente no dia 3 de outubro de 2010, domingo, dia que consagraria a espetacular vitória eleitoral do filho. eleito senador com votação recorde no Estado.
Aécio Neves, ainda criança, com a irmã mais velha, Andrea, e os pais, Aécio Cunha e Inês Maria Tolentino Neves, no batizado da caçula, Ângela
Aécio Ferreira da Cunha morreria em Belo Horizonte, aos 83 anos, em consequência de falência hepática, sem tempo de comemorar o sucesso do Aécio filho, que, além da própria vitória, elegeu o sucessor, o governador Antonio Anastasia, e o segundo senador por Minas, o ex-presidente Itamar Franco (PPS).
Com sua partida, Aécio perdeu também um grande conselheiro político. Aécio Cunha, cujo primeiro dos dois casamentos seria com Inês Maria, filha de Tancredo, percorreu uma longa carreira política: exerceu dois mandatos de deputado estadual em Minas e nada menos do que seis de deputado federal, em Brasília.
O pai, deputado influente
Fechou a carreira pública, em 1987, com um belo gesto: nomeado ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) pelo então presidente José Sarney, renunciou à mordomia vitalícia antes de tomar posse.
Não se conformou com o silêncio do presidente diante de rumores, espalhados pelo governador Newton Cardoso (PMDB), adversário do filho, segundo os quais Aécio Neves deixaria de apoiar o candidato tucano à Prefeitura de Belo Horizonte em troca da nomeação do pai.
Gesto não apenas belo, mas sobretudo raríssimo: é o único caso registrado nos 119 anos de história do TCU.
Fisicamente um pouco mais baixo mas, quando mais jovem, quase um retrato de Aécio Neves, Aécio Cunha não tinha o desalinho chique do filho: sempre em ternos formais, cabelos divididos e rigorosamente penteados, era um daqueles deputados que dispunham de grande habilidade e boa dose de influência, que, contudo, não exibia.
Trabalhava duro nas comissões, chegou duas vezes a ser o relator do Orçamento-Geral da União e exercia a política em silêncio, fazendo jus às raízes mineiras e ao aprendizado que, por sua vez, lhe propiciou em casa o próprio pai, avô paterno de Aécio Neves.
O outro avô foi quatro vezes deputado e trabalhou com JK
Tristão da Cunha, o outro avô de Aécio, foi um dos signatários do famoso “Manifesto dos Mineiros”, que prenunciou, em 1943, a derrubada de Getúlio Vargas, quatro vezes deputado federal pelo velho PR (Partido Republicano), ex-secretário de Estado de três governadores mineiros, inclusive Juscelino Kubitschek, e, durante dez anos, presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão destinado a preservar a concorrência empresarial.
O filho de Tristão e pai de Aécio Neves, Aécio Cunha, militou, desde o início da carreira, no mesmo partido de Tristão, o PR que surgiu em 1945 do velho Partido Republicano Mineiro (PRM), fundado para combater a monarquia em 1888 e, mais tarde, feudo político do presidente Arthur Bernardes (1922-1926). O PR, enquanto existiu, até a extinção dos partidos políticos pelo regime militar, em 1965, era essencialmente mineiro e, no estado, exercia a característica de partido pendular, que decidia as coisas entre o PSD e a União Democrática Nacional (UDN).
Aécio pai com Aécio filho
Em 1965, extintos os partidos surgidos na redemocratização do país, vinte anos antes, filiou-se à sigla criada pelo regime militar, a Arena e, mais tarde, a seu sucedâneo, o PDS. Isso nunca o impediu de manter uma convivência intensa com o sogro, e depois ex-sogro, Tancredo, um dos cardeais do MDB. Na Câmara, costumava visitar com frequência o modesto gabinete do futuro presidente.
Conservador moderado, governista relutante, não por acaso juntou-se no finzinho de 1984 à Frente Liberal, formada por dissidentes do PDS que se juntaram ao PMDB na Aliança Democrática, elegeram Tancredo presidente e liquidaram o regime militar.
O pai de Aécio Neves passou boa parte dos últimos anos refugiado em sua fazenda na Teófilo Otoni natal com a segunda mulher, Sônia Maria Bastos, mas gostava da companhia dos filhos – além de Aécio, as irmãs Andrea e Ângela.
Muito afetuoso com o filho, de quem tinha grande orgulho, certa vez, modesto, confidenciou a amigos:
– Ele é muito melhor do que eu fui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Gov. Anastasia mantem tradição de Tancredo

Notas de Minas: Gov. Anastasia mantem tradição de Tancredo: "O governador Antonio Anastasia, mantendo tradição iniciada no governo Tancredo Neves, em solenidade simbólica no Palácio Tiradentes, fez ont..."

sábado, 10 de abril de 2010

Aécio para Serra : " A partir das Montanhas de Minas estou ao seu lado


Publicada em 10/04/2010 às 13h14m


O Globo

Reuters/Brasil Online

BRASÍLIA - Na festa de lançamento da pré-candidatura de José Serra (PSDB) , neste sábado, à sucessão presidencial, o ex-governador Aécio Neves externou seu apoio ao tucano e deixou uma porta aberta sobre seu futuro político.
No discurso, Aécio disse uma frase que foi interpretada por tucanos como uma sinalização de que pode ser o candidato a vice na chapa de Serra. Aécio saiu do governo de Minas Gerais para concorrer a uma vaga no Senado, mas o apelo de partidários é que ocupe a vaga de vice.

" A partir de Minas Gerais, das montanhas de Minas, (estou) ao seu lado ou onde eu for convocado"

- A partir de Minas Gerais, das montanhas de Minas, (estou) ao seu lado ou onde eu for convocado - disse Aécio, que em dezembro desistiu de disputar ele próprio da Presidência da República pelo PSDB.

Assim que terminou de falar, em discurso mais inflamado que o de Serra, a plateia gritou em coro: "Vice, vice!"

- Hoje Minas está presente... para dizer que o candidato de Minas é José Serra - afirmou Aécio.

Falando em nome dos governadores, o mineiro disse que o momento é de consagrar a unidade do PSDB, para que o povo possa ver no Brasil "o governo do mérito e do resultado". Fez elogios iniciais a Serra, mas se dedicou em seguida a fazer grande homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Fez um apanhado das realizações dos dois mandatos de FH (1995-2002), citando a instituição da Lei de Responsabilidade Fiscal e as privatizações, e disse que de público "reconhece as virtudes do presidente Lula".

" Hoje Minas está presente... para dizer que o candidato de Minas é José Serra "
.- Mas uma (virtude) mais que as outras é manter inalterada a política econômica de FH - emendou.

O mineiro disse ainda que está aberto a discutir o passado do partido.

- Se quiserem, vamos discutir e debater nosso passado porque não há nada que nos envergonhe.

FH, que não compareceu à despedida de Serra do governo paulista no início do mês, não foi escondido pela organização do evento neste sábado, que reuniu cerca de 4 mil pessoas. Ele não só teve direito à palavra, como foi exaustivamente fotografado levantando o braço direito de Serra.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Tancredo Neves, o homem que mudou o Brasil, faz muita falta hoje


Tancredo Neves


Mudou o Brasil. Liderou a reconquista pacífica da democracia, morreu por ela. Foi o melhor presidente que o Brasil não teve

Fonte: Ronaldo Costa Couto – Folha de São Paulo



1984 , campanha presidencial. Tancredo precisava desvencilhar-se de boataria sobre sua saúde, um veneno para a candidatura. Fazer exames e escancará-los? Nem pensar! Sentia-se bem, mas era cismado com câncer, que já levara dois de seus 11 irmãos. Resposta a jornalistas, em São Paulo: “Estou com uma saúde irritante”.



No final de 1983, despachávamos no Palácio da Liberdade quando chegou a notícia de que Flávio Marcílio, presidente da Câmara dos Deputados, tinha a doença. Lamentou, abateu-se. Ficou de pé, apertou o abdômen com a mão direita, quase um hábito, e disse: “Esse “bichinho” pode estar dentro da gente sem sabermos”. Não estava, saber-se-á depois.



Realizava-se na política. Aos 74 anos, acordava com o sol, ia até tarde da noite. Todos os dias. Era um sufoco acompanhar seu ritmo. Mas delicioso privilégio conviver, trabalhar e aprender com Tancredo. É uma de minhas raras admirações que o tempo não levou.



Estrategista, pensava grande, via longe. Não radicalizava, fugia de decisões emocionais, errava pouco. Sabia antecipar-se, sabia esperar. Confiava, desconfiando. Conhecia os homens, suas manhas e artimanhas.



Dizia-se apenas um servidor público. Íntegro, patriota, culto, bom orador, escrevia bem. Amava o direito, conhecia economia política. Hábil negociador e operador político. Pilha de simpatia, argúcia, astúcia. Do adversário Zezinho Bonifácio: “O Tancredo é um político capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos”.



Dominava os principais temas domésticos e internacionais. Lia os grandes jornais brasileiros e o francês “Le Monde”. Gostava de rádio e televisão, inclusive de algumas novelas. Leitor fiel dos clássicos, entusiasta de música clássica.



Não esquecia seu pequeno mundo. Perto da morte, a alma sangrando, o corpo conectado a tubos e equipamentos indispensáveis, várias vezes rasgado, as entranhas feridas e devassadas, lembrou-se de que o padre Lopes, velho amigo, perdera a paróquia num distrito de São João del-Rei.



Chamou o neto Aécio: “Temos de ajudá-lo. Mande ver o que está acontecendo. Quero notícias”. Não fumava, pouco bebia. Bom de garfo, adorava almoçar e jantar sem pressa, uma taça de vinho junto.

Nunca o vi gripado. Perguntei qual era o segredo. “Acordo cedo e tomo banho frio, de chuveiro. Aconselho, é só acostumar. Molhe primeiro os pulsos e entre.” Tomava uma aspirina por dia.



Parecia não ter medo. Quase não se estressava, apesar da trabalheira, das pressões de governar, das maratonas de campanha, das manobras golpistas que enfrentou. Deitava e logo dormia.



Como conseguia? “Ah, meu filho, sempre faço a minha parte o melhor que posso. O resto é com Deus e Nele a gente pode confiar.” Divertido, sutilmente irônico, espirituoso. Um deputado autocandidato a secretário de Estado não parava de plantar notas. Tancredo, governador eleito, mudo. Mais notas, mais silêncio. Posse chegando, pede audiência: “Doutor Tancredo, o que que eu faço?

Tá todo mundo perguntando se vou ser secretário”. Tancredo: “Diga que eu te convidei e você não aceitou”.



Comigo, no início da campanha presidencial, meio de agosto de 1984: “Agora é construir alianças e conseguir os votos, um olho no PDS e outro no PFA”. “PFA, doutor Tancredo?!” “Sim, Partido das Forças Armadas.”

Oito semanas depois da mágica vitória, a hospitalização em Brasília. O desastroso, tumultuado e espetacularizado tratamento, o sofrimento medonho. Trinta e oito dias de martírio do corpo e do espírito. A absurdamente concorrida cirurgia da noite de 14 para 15 de março de 1985, finalizada a menos de nove horas da investidura do vice José Sarney, que presidirá a consolidação da democracia.



A falsa notícia de Diverticulite de Meckel e a previsão de alta e posse para a semana seguinte. A infecção, a dor implacável. A segunda cirurgia e a nova ilusão de melhoria. Até pose para fotos. A brutal hemorragia interna, a transferência às pressas para São Paulo. “Eu não merecia isso”, diz a Aécio.

Mais cinco cirurgias, a septicemia e o fim da agonia em 21 de abril de 1985. Sua morte fez o Brasil chorar e pôs nas ruas a maior multidão que São Paulo já havia visto. Espanto no Brasil inteiro, frustração colossal, muitas sombras e suspeitas.



Mudou o Brasil. Liderou a reconquista pacífica da democracia, morreu por ela. Fez e faz muita falta. Sim, Tancredo Neves foi o melhor presidente que o Brasil não teve. Uma de minhas lembranças dessa rasteira da história é um desenho de Millôr Fernandes. O Brasil como enorme floresta e, estendida no chão, uma árvore gigantesca, a mais alta de todas: Tancredo.



RONALDO COSTA COUTO, escritor, doutor em história pela Sorbonne, foi amigo e assessor de Tancredo Neves, ministro do Interior e ministro-chefe da Casa Civil (governo Sarney). É autor, entre outras obras, de “Tancredo Vivo” e “História Indiscreta da Ditadura e da Abertura”.



Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br



Link da matéria para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1503201008.htm

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tancredo um homem por inteiro, por Andrea Neves


Fonte: Andrea Neves – para o Valor Econômico




Tancredo de Almeida Neves, cujo centenário de nascimento e a lembrança dos 25 anos de sua morte se dão neste 2010, está entre os atores políticos de maior relevância no Brasil da segunda metade do século XX, bem como entre os que mais foram corajosamente coerentes.
À primeira vista, parecem existir dois Tancredos. Um, extremamente ameno no trato e nas palavras. Outro, corajosamente radical nas ações e nos gestos. A fusão dos dois fez um homem por inteiro. Comprometido, sempre, com a ordem democrática. Absolutamente leal aos companheiros, honrando a palavra que empenhava, transformou-se num interlocutor confiável na cena política durante décadas. E, surpreendentemente, não jogava para a plateia, não buscava os holofotes.
Ele costumava dizer: “Na política, só se lembram de mim na hora da tempestade”. Era verdade. Tancredo assume lugar de importância nacional em 1953. Com apenas 43 anos de idade, foi escolhido pelo presidente Getúlio Vargas como seu ministro da Justiça, considerada a pasta mais importante da época. Havia sido opositor do Estado Novo, advogava para trabalhadores e chegou a ser preso duas vezes no período. Mas considerava que Getúlio, ao ser eleito, ganhara legitimidade popular.
Foi fiel ao presidente até o seu último instante. Na última reunião do Ministério, quando os ministros militares diziam ser impossível enfrentar o golpe que se anunciava e pediam o afastamento do presidente, Tancredo se ofereceu para ir pessoalmente dar voz de prisão aos rebelados. “Mas você pode ser morto”, disse um deles. “A vida nos reserva poucas oportunidades de morrermos por uma boa causa”, respondeu.
Tancredo costumava se lembrar da última noite de Getúlio com emoção. Até os seus últimos dias, dizia que não conhecera ninguém em quem o senso de dever e o amor ao país fossem tão fortes. Lembrava que já se preparava para sair do Palácio do Catete quando o presidente o chamou e lhe entregou a sua caneta pessoal. “Uma lembrança desses dias conturbados”, disse ele. Tancredo guardou a lembrança e quando saía do prédio escutou o tiro com que o presidente se suicidara. Correu aos aposentos dele e ajudou a filha, Alzira, a socorrer o pai. Dizia que os olhos do presidente circularam pelo quarto, passaram pelos dele até se fixar nos da filha. Morreu olhando para ela.

Extremamente abalado, Tancredo chegou para o enterro em São Borja, no Rio Grande do Sul. Fazia muito frio. Oswaldo Aranha lhe emprestou um cachecol que ele guardou, dobrado, na sua gaveta de objetos pessoais por toda a vida. De São Borja, enviou um telegrama ao então governador de Minas, Juscelino Kubitschek, denunciando a ação das forças golpistas. Há quem pense que o suicídio de Getúlio tenha atrasado em dez anos o golpe militar. O ano de 1964 poderia ter chegado em 1954.

Em 1961, a renúncia do presidente Jânio Quadros pegou o país de surpresa. O vice-presidente, João Goulart – ou Jango, como era mais conhecido -, se encontrava na China, e começaram as articulações para impedir a sua posse. Tancredo divulga um manifesto à Nação pedindo respeito à ordem democrática e que fosse garantida a posse do vice-presidente. O ambiente se agrava. Prioritário naquele momento era garantir que Jango chegasse ao país e ao governo.
Diante da irredutibilidade de setores militares, surge a solução parlamentarista. Tancredo vai de avião ao encontro de Jango no Uruguai. Haviam sido, Tancredo e Jango, ministros de Getúlio. A confiança entre os dois havia sido selada na antecâmara de uma tragédia. Em um momento de crise, em que o caráter e a fibra de um homem não podem se ocultar atrás de discursos de conveniência. Por isso era Tancredo – e não outro – que poderia ter entrado naquele avião.

Há quem diga que naquele encontro teria ficado implícita a certeza de que a alma brasileira, se consultada, não trairia a sua tradição presidencialista. Importante naquele momento era garantir que o presidente tomasse posse. Era evitar que 1964 chegasse em 1961. Jango tomou posse. Tancredo foi escolhido primeiro-ministro. Deixou o posto de chefe de governo em 1962 para disputar as eleições para a Câmara dos Deputados. Eleito, se transformou em líder do governo João Goulart na Câmara dos Deputados.
Chegou 1964. O presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declara vaga a Presidência da República, apesar de o presidente João Goulart se encontrar em solo brasileiro. Diante de uma Casa silenciosamente acovardada, escutam-se algumas vozes e gritos inconformados no plenário. Quem ouvir com atenção o áudio da sessão vai escutar, nesses gritos, as vozes da consciência nacional. Uma voz se destaca: “Canalhas!” Era Tancredo.
Naquela época também deputado, Almino Afonso conta: “Até hoje me recordo com espanto do deputado Tancredo Neves, em protestos de uma violência verbal inacreditável para quantos, acostumados à sua elegância no trato, o vissem encarnando a revolta que sacudia a consciência democrática do país. Não deixava de ser chocante ver a altivez da indignação de Tancredo e o silêncio conivente de muitas lideranças do PSD”.
O jornalista José Augusto Ribeiro diz que, ao sair dessa sessão, o indignado Tancredo deu uma entrevista: “Acabam de entregar o Brasil a 20 anos de ditadura militar!” Enfrentou soldados para se despedir pessoalmente de Jango.
E 1964, adiado tantas vezes, finalmente chegou. O primeiro momento, fortemente simbólico, foi a eleição do marechal Castelo Branco. Tancredo foi o único deputado do PSD de Minas a se abster na votação.
Vieram as cassações. Os inquéritos policiais militares. Nem os ex-presidentes são poupados. Juscelino foi convocado a depor. Não foi sozinho. Tancredo o acompanhou aos depoimentos. Solidário.
Exilado, o talvez mais festejado presidente que o país já tivera, se dirigiu ao aeroporto para deixar o Brasil. Era o ex-presidente bossa nova. Era um ex-presidente da Republica que seguia rumo ao exílio. Três pessoas acompanharam JK até o avião. Duas eram da família. A outra era Tancredo. “Me lembro que a sua foi a última mão que apertei!”, disse Juscelino na primeira carta enviada do exílio.
São anos de um paciente ostracismo para Tancredo.
Morre o presidente João Goulart no Uruguai. O governo militar a princípio se recusa a permitir que ele seja enterrado no Brasil. Começam diversas articulações. Tancredo recusa conselhos e vai ao general Golbery do Couto e Silva: “Ninguém pode negar a um presidente o direito de descansar entre o seu povo!” E, quando a conveniência indicava, de novo, o contrário, lá estava Tancredo em São Borja. Mais uma vez, a memória de Almino Afonso: “Era a única liderança de porte nacional presente no cemitério”.
Juscelino morre. De pé, Tancredo velou o presidente. É de Tancredo o mais forte e emocionado discurso de homenagem ao ex-presidente.

Trinta anos depois de 1954, é a vez de 1984. A campanha das Diretas Já ocupou as ruas e o coração do país. Tancredo participou, articulou, discursou. Mas conhecia a história. Ali estavam maduras as condições para deixar 64 para trás. Ideal que fosse pelo voto direto. Se não pudesse ser, que fosse por outro caminho. Importante era abrir a porta de saída. A porta que ele ajudou a não deixar que fosse aberta em 1954 e em 1961 precisava agora ser fechada.
De novo, era ele que precisava tomar aquele avião. Do ponto de vista da história, Tancredo estava pronto. Tinha que ser ele. Era o que se costumava ouvir dos analistas mais experientes. “Esta foi a última eleição indireta deste país”, foram as primeiras palavras do seu discurso como presidente eleito.
Getúlio, Juscelino e Jango sabiam do que ele estava falando. Sabiam o que havia custado chegar até ali. Saberiam o que ainda ia custar?
O avião decolou novamente. O piloto não desembarcou. Mas conduziu o voo a um pouso seguro. Afonso Arinos disse que “alguns homens dão a vida pelo país. Tancredo deu mais, deu a morte”.
Lembro-me dos olhos marejados de Tancredo recordando com respeito e reconhecimento o extremado senso de compromisso de Getúlio com o país. “Ele sabia o que estava em risco”, costumava dizer. “Vocês não imaginam o que foi a multidão que acompanhou o funeral do presidente. Foi ela, em torno do caixão do presidente Vargas, que selou o pacto que impediu, naquele momento, o retrocesso da ordem democrática”, insistia em nos explicar.
Mal sabia Tancredo que 31 anos depois, em 1985, uma outra multidão velaria o corpo de um outro presidente.
E que ele também deixaria a vida para entrar na história.

Andréa Neves, neta de Tancredo, é jornalista e presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social de Minas Gerais (Servas)
Tancredo, um homem por inteiro

Link da matéria: http://www.valoronline.com.br/?impresso/cultura/92/6153538/tancredo,-um-homem-por-inteiro&scrollX=0&scrollY=2514&tamFonte=

sábado, 6 de março de 2010

Tancredo Neves, a herança maior de Aécio Neves




100 anos do Aniversário de Tancredo e a inauguração da Cidade Administrativa são destques de Jornal da Globo de 04 de março 2010. A Cidade Administrativa Tancredo Neves é uma homenagem do neto e governador de Minas, Aécio Neves. O novo centro adminsitrativo do Governo de Minas vai reunir 16 mil servidores em um só lugar e, assim vai trazer mais eficiência è gestão pública. O projeto do arquiteto Oscar Niemeyer é um marco da arquitetuta brasileira o prédio foi construído dentro do conceito de ecoeficiência e sustentabilidade.


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sábado, 27 de fevereiro de 2010

" Meu Caro Presidente ", no Blog de Reinaldo Azevedo

Tancredo Neves, o homem que devolveu a democracia ao Brasil, completaria 100 anos nesta semana. Cartas inéditas, trocadas entre ele e o ex-presidente Juscelino Kubitschek durante o regime militar, oferecem uma lição de espírito público cada vez mais rara nos tempos atuais



Na noite de 13 de junho de 1964, pouco mais de dois meses após o golpe militar que estabeleceu uma ditadura no Brasil, o ex-presidente Juscelino Kubitschek embarcava solitariamente no Rio de Janeiro rumo ao exílio voluntário na Europa. JK, o festejado presidente bossa-nova, tivera o mandato e os direitos políticos cassados pelos militares. Despedia-se do país sob o rugido aziago das turbinas do avião da Ibéria que o levaria a Madri. No jato, partiam Juscelino e os anos dourados. Em terra, ficavam os militares e os anos de chumbo. Quando Juscelino subiu as escadas do avião, um braço o alcançou. Era Tancredo de Almeida Neves, que completaria 100 anos nesta semana, em 4 de março. Aos 54 anos, Tancredo era deputado, crítico do regime, mas ainda não tinha o tamanho de Juscelino. Deixaram-no ficar. Juscelino, porém, projetava uma sombra democrática por demais incômoda aos militares. “Meu caro Tancredo”, escreveu Juscelino de Paris, dois meses depois do embarque, numa das primeiras cartas de uma correspondência que se avolumaria no decorrer daqueles tempos lúgubres, “lembro-me bem de que a sua foi a última mão que apertei antes de me dirigir ao avião. Naquele instante de brutalidade, a sua presença me confortou.”


Foi em meio à brutalidade do regime militar que a amizade entre ambos amadureceu, transcendendo as conveniências da política - e amadureceu por meio das epístolas que ambos trocavam. VEJA teve acesso a um conjunto de dez cartas inéditas, escritas por eles durante o regime militar.



No dia 24 de julho de 1964, quase quatro meses após o golpe militar, Tancredo enviou uma emocionada carta a JK. Escreveu o então deputado: "Sinto que se aproxima do fim o eclipse que nos envergonha diante das nações civilizadas e que já está à vista o dia em que iremos restaurar o clima de dignidade democrática por que anseiam todos os brasileiros, com a revisão das brutais iniquidades que maculam nossa história política". Tancredo sabia que o regime não agonizava. Queria confortar o amigo. A morte da ditadura só viria vinte anos depois, com a eleição dele à Presidência

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aécio Neves e Andrea Neves, juntos em busca da justiça social e de um mundo melhor para todos.



O cantor Rogério Flausino, Aécio e sua irmã, Andrea Neves,
no lançamento do projeto "Vozes do Morro", em Belo Horizonte

Foto: Wellington Pedro/Imprensa MG
A política pode ser um instrumento de agregação de forças, de partilha, de solidariedade para o bem comum; ou pode ser um meio utilizado, legitimamente, para a conquista do poder, da soberania e do centralismo. A responsabilidade de trabalhar com a política para fazer o bem social é enorme, mas não depende unicamente de desejos ou de intenções. Para trilhar esse caminho, com responsabilidade, um indivíduo precisa ter, sobretudo, experiência, princípios e consciência de que esse não é um projeto para se executar só.
Aécio Neves é o bom exemplo de alguém que sabe dar à política o seu valor real. Ele nasceu em uma família acostumada ao meio político e a cultivar sonhos grandes em relação ao país. Um grupo de pessoas que compartilhava desejos, respeitando eventuais divergências, pregando o entendimento e a tolerância, para somar e ir além. O seu grande mestre na arte da conciliação, a linha forte que costurava a união, dentro e fora de sua casa, foi Tancredo, que dividia com dona Risoleta a responsabilidade de ensinar aos filhos e netos a importância de deixa-se guiar por seus valores.

Já sem o avô, logo depois de entregar-se inteiramente à política, Aécio Neves percebeu, dentro de casa, sua grande parceira - Andrea Neves da Cunha, sua irmã mais velha, que até então havia tomado direções bem distintas às dele. A amizade divertida e trôpega da infância, se solidificou na vida adulta, com o apoio mútuo e a cumplicidade que foram as mais importantes lições das primeiras décadas de suas vidas.
A política de alianças, de agregação de forças, que se atesta em toda a trajetória pública de Aécio Neves começou no espaço privado, na troca de saberes e na humildade da escuta mútua. Andrea é de Aécio uma companheira e amiga, que com ele compartilha sonhos e, principalmente, o mesmo senso de responsabilidade e a coerência de princípios.
Atualmente, Andrea ocupa, no governo de Minas, o espaço de uma "primeira-dama". É a presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação. Tímida, de temperamento bem distinto ao do irmão, Andrea abdica, na política, de papéis de destaque, para ser companheira e incentivadora de Aécio.
Com cumplicidade e seriedade, Aécio e Andrea carregam juntos os compromissos de Tancredo com a vida e com o país. E dividem princípios semelhantes. Eles não abrem mão de sua união, pois aprenderam, com a história, que só com alianças e partilha é possível conquistar avanços e fazer a vida ter valido a pena, no final do trajeto. Juntos, como cidadãos, dedicando-se à boa política, descentralizada e solidária, eles podem muito mais, pelos sonhos que todos nós temos... e que são, como o amor entre eles, do Tamanho do Brasil.
fonte: Aecioblog/Anavasco

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aécio Neves diz: Etica sim, sabotagem jamais !!



Como Sabotar o Brasil

Por Ana Vasco,
Há quem acredite que a forma mais fácil de enfraquecer os adversários é “sabotando” oportunidades de crescimento, plantando dúvidas, gerenciando boatos, alimentando a discórdia, sugerindo a desistência. Afinal, tantas vezes isso já deu certo. Por motivos políticos, nossa juventude já foi taxada de comunista, drogada, violenta, subversiva. “Disciplina e decoro” foram as máscaras de um discurso que queria incutir a mentira e o medo. Mas o método de crítica e desvalorização de quem não defende os ideais semelhantes, típico de tempos de ditadura, não ficou restrito a um período histórico. Caminhou pelo tempo e até hoje submete a política à hipocrisia, à malandragem, à chantagem, à falsidade e à manipulação.
E quem não se lembra de fatos marcantes relacionados a isso? Poderia enumerar dezenas, mas vou me ater a uma história. Algum tempo após Tancredo Neves assumir a sua candidatura oficial para a disputa da Presidência da República, em 1984, aconteceu uma situação muito estranha em Brasília. Um dia, a cidade amanheceu coberta de cartazes vermelhos, com a caricatura de Tancredo, ao lado de uma foice e de um martelo, com os dizeres: “PCB – Chegaremos Lá”. O episódio, sem explicação convincente, ocorreu também em Goiânia, Salvador e em outras capitais. Quem afinal teria interesse em associar a imagem de Tancredo ao radicalismo e à dissimulação? Dessa vez, o povo brasileiro rejeitou a “sabotagem”. Mas muitas outras, na nossa história recente, deram certo e servem como estímulo para quem gosta da política mais suja.
Na revista Veja desta semana, o colunista Diogo Mainardi dá um conselho ao PSDB: sabotem o PT. Como? Unindo os dois pré-candidatos do partido em chapa única. Essa é a força da oposição, juntos eles podem mais, podem tudo. Balela! O Brasil quer a união real de propósitos e de forças políticas – de esquerda e de direita – que hoje são antagônicas, por um projeto mais amplo, que envolva toda a sociedade. O Brasil não aceita mais sabotagens.
No passado, tentaram “sabotar” Tancredo e muitos outros. Hoje, espera-se que outras “sabotagens” fortaleçam possibilidades. Mas no fundo, todos se esquecem que esse tipo de estratégia pode voltar-se contra o Brasil. Que as “sabotagens” extirpam da política o seu poder mais nobre, de aglutinar, sustentar ideais.
Aécio quer mais do que cargos ou poder de mando. Quer ser o presidente que irá promover as reformas estruturais que o Brasil espera há mais de 20 anos. Aécio quer trabalhar, com lideranças, partidos e com a sociedade, por um país melhor - economicamente forte, com compromisso social, bem gerenciado e sem polarizações partidárias. Ele quer lutar por sonhos que transcenderam gerações. Sem divisões, ciladas, sem “sabotagens”, sem precisar provar constantemente que ele não é o “subversivo” que gostariam que ele fosse – para que a derrota ou a desistência se torne possível.
Pela verdade, pelos avanços, pela união, pela ética e pelo Brasil, eu sou mais Aécio. E você?

Por Ana Vasco, Aecio Blog

domingo, 11 de outubro de 2009

Aécio e as lições de seu avô Tancredo Neves


Lições de Tancredo 
Por Ana Vasco, 10 de Outubro de 2009, 23h53
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Nesta semana, o jornalista Augusto Nunes publicou, em seu blog, mais uma das lições que aprendeu com o avô de Aécio, Tancredo Neves, quando esteve ao seu lado, nos últimos anos de sua trajetória política.

Com seus textos, bem temperados e recheados com o humor sofisticado de Tancredo, Augusto Nunes nos leva a pensar no quanto as lições desse personagem fantástico da história do Brasil podem ser aplicadas nos tempos atuais...

Nesta quinta lição, Augusto Nunes nos conta sobre as dificuldades para se atuar na política e saber lidar, ao mesmo tempo, com as intrigas e as condições desfavoráveis criadas por aqueles que temem os processos democráticos.
Quer saber logo qual é a lição?
"Um acordo entre contrários é muito mais difícil do que uma vitória eleitoral"
Vale pensar sobre isso... Depois de tirar daí o recado mais óbvio, interpreto à minha forma, menos simplista e rasa. É preciso entender que muitas vezes os maiores opositores de alguém disposto a trabalhar com seriedade podem ser os que permitem que ele atue, mas dentro de limitações e condições inflexíveis, que essas mesmas pessoas estabelecem, seguindo critérios restritos. Como identificar esses indivíduos? Eles sempre correm por caminhos inversos ao da democracia ampla e da liberdade pessoal... Um acordo entre esses contrários é realmente muito difícil. Foi assim na história registrada por Augusto Nunes...
Para quem quer aprender um pouco sobre a "política do bem", feita com leveza e uma boa pitada de ironia, sugiro que navegue pelos textos de seu blog:



Lição nº 1 -"Fazer visita é bem melhor que ser visitado"
Lição nº 2 - "Não se tira o sapato antes de chegar ao rio. Nem se vai ao Rubicão para pescar"
Lição nº 3 - "Escolher o adversário, às vezes, é muito mais importante que escolher o aliado"
Lição nº 4 - "Só examine a espuma depois que as ondas pararem de bater"
Lição nº 5 -"Um acordo entre contrários é muito mais difícil do que uma vitória eleitoral"

domingo, 30 de agosto de 2009

Aécio deixa o seu legado de cimento e arte


Revista Veja
Da rampa do Auditório Juscelino Kubitschek,


Aécio supervisiona os trabalhos

Na década de 40, Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, mudou o eixo de desenvolvimento da capital mineira para o norte. Com o objetivo de ocupar uma área pouco habitada, o futuro presidente da República encomendou ao arquiteto Oscar Niemeyer, ainda um desconhecido, o complexo que embeleza a Lagoa da Pampulha.

Niemeyer projetou um cassino (hoje, um museu), um salão de baile, o Iate Clube e a Igreja de São Francisco de Assis, um marco da arquitetura moderna brasileira. Na década seguinte, Juscelino e Niemeyer repetiriam a parceria na construção de Brasília. Setenta anos depois, o governador Aécio Neves retomou o projeto de JK. Em dezembro, abrirá as portas da Cidade Administrativa Tancredo Neves, no limite norte de Belo Horizonte, perto do Aeroporto de Confins. Também desenhada por Niemeyer, ela abrigará a nova sede do governo mineiro.
Na área de 800 000 metros quadrados, cinco prédios imponentes estão sendo concluídos. Dois deles alocarão 16 000 funcionários públicos que hoje dão expediente em nada menos que 53 endereços. No terceiro haverá um centro de convivência, equipado com restaurantes, lojas e bancos. O quarto edifício é um auditório, cujas linhas lembram as da igreja projetada por Niemeyer para a Pampulha.

Com capacidade para 490 pessoas, esse prédio será batizado com o nome de Juscelino Kubitschek, em homenagem ao mais ilustre antecessor de Aécio. Quanto ao quinto edifício, ele é um resumo da obra de Niemeyer. O Palácio Tiradentes, onde o governador despachará com seus assessores mais próximos, tem arcos, pilotis e pavimentos que misturam vidro e concreto armado. Seus quatro andares se mantêm suspensos por uma estrutura de concreto. Totalmente vazado, o térreo será o maior vão livre de concreto do mundo, com 147 metros de comprimento – o dobro do vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Anexo ao palácio, Niemeyer dispôs uma torre encimada por um heliponto, que dará acesso ao gabinete do governador. Verticais, as edificações ocuparão apenas 10% do terreno da área da Cidade Administrativa. O restante foi reservado a um estacionamento para 5 000 veículos e um gramado, no meio do qual se destacarão dois lagos artificiais e dezenas de palmeiras. "Acredito que é uma aula magna de arquitetura e de administração pública, pois, além de concentrar milhares de funcionários em apenas dois prédios, valoriza ao máximo as áreas livres e verdes", disse Niemeyer a VEJA.


A Cidade Administrativa encomendada pelo governador mineiro a Oscar Niemeyer retoma o projeto urbanístico traçado por Juscelino Kubitschek para Belo Horizonte

A maioria dos servidores está lotada na região central de Belo Horizonte, nas imediações da Praça da Liberdade, onde está o atual Palácio do Governo. Em torno dele cresceu a cidade, que foi planejada no fim do século XIX para substituir Ouro Preto como a capital de Minas Gerais. Mas, hoje, a zona central sofre com congestionamentos de trânsito, comércio de ambulantes e sujeira.

A Cidade Administrativa permitirá que ela seja recuperada. Quando as repartições públicas saírem de lá, os palácios da Praça da Liberdade serão convertidos em um centro cultural, o que ajudará a restaurar a antiga elegância da vizinhança. Embora distante, essa região central terá uma conexão rápida com a Cidade Administrativa pela Linha Verde, uma via expressa construída por Aécio Neves que interliga o centro ao Aeroporto de Confins.

A expectativa do governador é que os prédios públicos, a avenida e uma área industrial que ele está criando junto ao aeroporto desviem a atenção dos empreendedores privados para o Norte, uma região pobre da capital. Diz Aécio: "A Cidade Administrativa é uma obra que resume o princípio que norteou minha gestão: conferir eficiência e qualidade à administração pública e, ao mesmo tempo, fazer com que ela seja indutora de desenvolvimento econômico e social".

segunda-feira, 25 de maio de 2009

AÉCIO NEVES DO BRASIL

(foto Revista ÈPOCA 575 by Frederick Jean)

Aécio Neves apresenta ao país um novo projeto nacional

O governador Aécio Neves segue firme em seu projeto de construir uma agenda positiva para o país, atento em ampliar os avanços sociais conquistados pelos brasileiros na última década e antenado com o fortalecimento da economia e da federação.
Em encontro com lideranças empresariais, políticas e do judiciário na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro, no dia 15 passado, e no Congresso Nacional, na última quinta-feira, Aecio mostrou as credenciais de um grande articulador político e de administrador moderno e bem informado.
Em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o governador Aécio Neves defendeu o restabelecimento dos princípios federativos no Brasil. Aécio Neves acredita que a descentralização dos recursos traria oportunidades iguais para todas as regiões do país.
“Precisamos de um projeto que permita, de forma descentralizada, que cada região possa transformar suas vocações e competências em efetiva riqueza, distribuída de forma equânime, democrática e, portanto, socialmente justa e pacífica. Trata-se da recuperação dos princípios que moveram a República e o Federalismo no Brasil, e que praticamente morreram sob a égide da concentração de poder e da irremediável subordinação dos entes federados”, destacou, ao discursar durante o “Almoço do Empresário”, promovida pela Associação Comercial.
Em visita ao Congresso Nacional, em Brasília na quinta-feira (21), o governador Aécio Neves se reuniu com o presidente da Câmara, Michel Temer, líderes do Democratas (DEM), e também com o senador Pedro Simon (PMDB). Durante a visita, o governador e os deputados debateram a proposta de reforma política que tramita na Casa e, durante reunião na liderança do DEM, foram relembrados os 25 anos da formação da Aliança Democrática Nacional. Essa aliança propiciou a eleição de Tancredo Neves à presidência da República.
Aliança Democrática
Na visita que fez à liderança do DEM, o governador conversou com o presidente nacional do partido, Rodrigo Maia, o líder da bancada, deputado Ronaldo Caiado, e mais cerca de 15 parlamentares. No encontro, o deputado e ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, ressaltou a importância da Aliança para a retomada da prática democrática no país, que levou à eleição do presidente Tancredo Neves. O governador Aécio Neves relembrou fatos importantes que viabilizaram a composição dos partidos e lembrou ter iniciado, aí, a sua vida pública.
Veja mais em:
No O Globo: Em discurso de candidato, Aécio Neves diz que país precisa de projeto nacional.
No Blog da Lúcia Hippolito: Aécio Neves saúda o povo e pede passagem.
Na Agência Minas: Aecio defende em palestra descentralização de recursos.
Na Agência Minas: Aécio se reúne com líderes da Câmara e do Senado.
No site da ACRJ: Aécio Neves defende descentralização de recursos para desenvolvimento igualitário entre as regiões brasileiras.
No Youtube: Aécio Neves na Associação Comercial Rj.Na Folha Online: Aécio Neves defende aliança do PSDB com PMDB nas eleições presidenciais de 2010.

domingo, 24 de maio de 2009

Aecio Neves da Cunha


Aécio Neves da Cunha is the governor of Minas Gerais State in Brazil since 2002. He was born in March 10, in Belo Horizonte in 1960. He is the youngest governor to take over this position in Minas Gerais’ state. Aécio is the second-longest running governor in the state after Benito Valadares who was governor for 10 years. Aecio’s approval rate overcame 77% in his second term according to the research conducted by the DataFolha Institute in March 2009.The current governor of Minas Gerais graduated in Economics from Pontifícia Universidade Catolica de Minas Gerais. He participated in his grandfather's campaign, who was elected Minas Gerais’ governor in 1982. When Tancredo took over the governor post, he invited Aecio who was 21 years old at the time, to be his private secretary. In 1985 Tancredo was elected President of Brazil, but he passed away April 21st before his inauguration as President of the Republic. At that time, Aécio was nominated the Chairman of the International Year of the Youth’s Committee from the Ministry of Justice, leading a group of 130 people who went to Moscow to participate in the 12th World Meeting of Youth and Students.Aécio represented Minas Gerais at the Chamber of Deputies for four terms. In the first four years (1986-1990) he participated in the National Constituent Assembly in which he was Vice- Chairman of the Committee on Sovereignty and Rights and Guarantees of Men’s and Women's Rights. He also proposed the amendment that established the right to vote at the age of 16. In his second term (1990-1994) he voted in favour of the “impeachement” of President Fernando Collor de Melo. In 1992 Aécio competed for Belo Horizonte’s Mayor post but Patrus Ananias won the election. In 1995, in his third term (1994-1998) as Federal deputy, he was elected president of Minas Gerais Party PSDB. In 1997, he became the leader of that Party in the Chamber. In the 1998 election, he was PSDB deputy with the highest number of votes in the country.In 2001, Aecio was elected President of the Chamber of Deputies with more votes than the sum of all the other candidates. Among his achievements, there is the “Ethics Package” which ended the immunity of Parliamentarians for ordinary crimes. In June 2002, he applied for Minas Gerais’ governor post and he was elected in the first round with more than 5 million votes. In Minas Gerais, he implemented “Management Shock”, a policy that reorganized and modernized the State. He reduced the costs of the government state, increasing investment in the social area and in infrastructure. This policy improved the quality of service and was approved by international companies such as the World Bank and the Interamerican Development Bank. In 2006 he was reelected with 77.03% of the valid votes, confirming his high rate of approval. The second generation of "Management Shock" or “State for Results” currently implemented in Minas Gerais is advanced in relation to the first policy and focuses its planning on citizen development.Nowadays the political parties in Brazil are campaigning for the president, governor, federal and state deputies’ elections in 2010. Aécio Neves is one of the strongest candidates from the PSDB party to compete for the Presidential post.[edit] Political HistoryAécio had his first professional experience at the age of 17 as an Officer of the Administrative Council of Economic Defense of the Ministry of Justice of Rio de Janeiro. In 1980, Christmas night. Tancredo Neves called Aécio and asked him if he wanted to quit his surfer life to get to know his “hometown” better. (Aécio Neves in an interview to the magazine Revista Isto É Gente, 30/09/02). Aécio’s political life began right after that episode when he was 20 years old. At that time, his grandfather called him to say that the time had arrived and then he invited him to participate in his campaign for Minas Gerais Government. Aecio’s political influences also came from his other family’s side. His other grandfather Tristao Ferreira da Cunha, originally from Teofilo Otoni, north of Minas Gerais, was a politician, lawyer and professor. He signed the Manifesto dos Mineiros and he was Secretary of the Agriculture Industry and Trade when Juscelino Kubitschek was governor (1951-1955). Aécio Cunha, Tristao’s son and Aecio’s father was state deputy from 1955 to 1963 and federal deputy from 1963 to 1987. Although they were rivals in politics, Tancredo Neves (MDB) and his son-in-law Aecio Cunha (Arena) were friends and they shared an apartment in Brasilia for 18 years. In 1982, in Belo Horizonte, Aécio started working in his grandfather's campaign for the Government of Minas Gerais participating in meetings and rallies in more than 300 cities in Minas Gerais. Fernando Lyra, one of the main managers of Tancredo Neves’ campaign for the Presidency in 1985 has recently released a book “Daquilo que eu sei – Tancredo e a transicao democrática” (without official translation). In an interview for the website Terra Magazine regarding his book release, Lyra claimed that Aecio followed the steps of Dr. Tancredo. In this time of democratic transition in Brazil, new leaders come up, and Lyra believes that Aécio is a great leader.
Sourced from: http://en.wikipedia.org/wiki/A%C3%A9cio_Neves