quarta-feira, 28 de abril de 2010

Resposta de Minas a um artigo de Luiz Nassif

Por Elbe Brandão em resposta á Luiz Nassif.


Caminhos para o Desenvolvimento Regional



Partindo do pressuposto de que Minas Gerais é uma síntese do Brasil e

com base em texto publicado em seu blog, gostaria de deixar aos seus

leitores algumas reflexões sobre o que estamos vivenciando em nosso

estado.

O governo de Minas possui um vigoroso programa de desenvolvimento regional.

Um programa de desenvolvimento, para ser eficaz, pressupõe um esforço

de planejamento com base em projetos e indicadores de ação. Assim, o

governo de Minas, no âmbito do Plano Mineiro de Desenvolvimento

Integrado (modelo adotado inclusive por outros estados, vide o Rio de

Janeiro) prevê e incorpora instrumentos de indução e acompanhamento do

desenvolvimento regional.

As opções feitas pelo Governo de Minas a favor das regiões mais pobres

são corajosas e devem ser saudadas porque buscam caminhos que podem

criar as condições para o rompimento do ciclo de pobreza ao invés de

investir em políticas que perpetuam a dependência do estado. Promover

o planejamento, a implementação e a auto-gestão do processo de

desenvolvimento sustentável que amplie as oportunidades para pessoas e

fortaleça o território tem sido o nosso foco.

É fácil perceber a formidável inversão na lógica de investimento do

estado que permite que hoje se faça, nas regiões com baixa dinâmica

econômica de Minas, um investimento per capita quase três vezes

superior à média estadual.

Pela primeira vez se observa um esforço organizado no sentido de

diminuir as desigualdades regionais no estado e que só foi possível, a

partir de um consistente projeto de prioridades anunciadas pelo

governador Aécio Neves, no seu primeiro dia de governo: "governarei

para toda Minas, mas permitam-me dizer que governarei com um olharespecial voltado para os mineiros dos vales do Jequitinhonha, Mucuri e

do Norte de Minas".



A concretização desse compromisso veio com a criação da Secretaria

Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha,

Mucuri e Norte de Minas, da qual sou a titular. Com isso, o governo

sinalizou para a descentralização administrativa, a integração de

ações de diversas áreas temáticas (secretarias e outros órgãos do

Estado) com o foco em um único território.

A estratégia utilizada para as ações governamentais foi a de absorver

o acúmulo dos conhecimentos locais e, assim, implementar, com

eficiência, criatividade e permanente participação popular, projetos e

programas que resultassem em efetivos avanços do bem estar da

sociedade e do desenvolvimento regional. E, ainda, que se estruturam a

partir de redes de gestão participativa que estimulam o protagonismo e

a organização social no planejamento e execução de políticas públicas

e na tomada de decisões.

A opção do Governo do Estado foi clara: priorizar investimentos que

possibilitem não só a melhoria da qualidade de vida da população

dessas regiões, mas também investimentos em infra-estrutura, educação,

saúde e tecnologia, o que significa a criação de condições para

atração de atividades produtivas que possam gerar emprego e renda para

a população, permitindo o rompimento de um ciclo de perpetuação da

tutela do estado.



Para isso, de forma resumida, podemos citar que o Governo de Minas

está pavimentando todos os 219 municípios ligados por rodovias

estaduais que não possuíam ligação asfáltica, sendo que oitenta e oito

deles, ou 40,2%, estão localizados nas regiões Norte, Noroeste e

Jequitinhonha/Mucuri. Mais de 30% da população rural destas regiões

(500 mil pessoas) foram atendidas pelo Projeto de Combate à Pobreza

Rural, com projetos de abastecimento de água, mecanização agrícola,

dentre outros.

Por meio do programa Minas Comunica, garantiu telefonia celular para

os 412 municípios mineiros que não possuíam acesso a este serviço: 134

destes municípios se localizam nestas regiões.



Para vencer a batalha por universalização do acesso ao saneamento

básico, criou-se uma empresa, a COPANOR, com uma missão exclusiva:

garantir o serviço de abastecimento de água e esgotamento sanitário em

todas as 463 localidades de 200 a 5.000 habitantes, de 92 municípios

das Regiões Norte, Noroeste, e Jequitinhonha/Mucuri. Atualmente, 60

localidades já estão com os serviços em operação e outras 119

encontram-se em obras, beneficiando 1,2 milhão de habitantes.



Do ponto de vista dos indicadores, podemos dizer que a partir de

investimentos maciços em saúde e educação, a mortalidade infantil caiu

13,5% entre 2002 e 2008 nas regiões mais pobres do estado. A queda nas

internações por desnutrição infantil foi de 70% entre 2002 e 2009 .

Os indicadores de melhoria da qualidade na rede estadual de ensino

comprovam que também na educação as regiões mais pobres se destacaram.

O aumento da proficiência média dos alunos da rede estadual, medida

pelo Proalfa, em Minas, no período de 2006 a 2009 foi de 11,66. Já no

grande Norte foi de 15,05%. O Proeb no período de 2008 e 2009 também

confirma a tendência de um crescimento maior no desempenho dos alunos

da 5ª e 9ª séries daquela região

Investir para diminuir as diferenças. É isso que o governo do estado

vem fazendo. E é esse o único caminho para combater, de forma eficaz,

as desigualdades regionais num estado que possui, dentro e si, tantas

diferenças.

Atenciosamente,

Elbe Brandão

Secretária de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales

do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas

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